Fonte : Cultura e Mercado

A rede de produtores BaixoCentro promove, a partir desta sexta-feira (23/3) e até o dia 1 de abril, o primeiro festival de rua aberto, colaborativo, independente e autogestionado de São Paulo. Serão mais de 100 atividades, incluindo exibição de filmes, shows musicais, espetáculos teatrais, oficinas, performances, intervenções de rua e caminhadas, tudo com entrada gratuita.

O BaixoCentro é uma iniciativa de produtores da Casa da Cultura Digital, imóvel na Barra Funda, que reúne empresas ligadas à internet. A ideia é ressignificar a região da capital de São Paulo em torno do Minhocão, que compreende os bairros de Santa Cecília, Vila Buarque, Campos Elísios, Barra Funda e Luz. “São Paulo está se tornando cada vez mais fechada, com clubes caros e poucas opções nas ruas. As ruas são para usar e para compartilhar. Sentimos que havia uma demanda por cultura livre”, disse ao jornal Folha de S. Paulo Lucas Pretti, um dos idealizadores do projeto.

A ideia é estimular a apropriação do espaço público pelo público a quem, de fato, pertence, motivando uma maior interação das pessoas com seus locais de passagem, trabalho ou moradia cotidianos.

Para Pretti, o projeto opõe duas visões sobre a cidade: uma da Prefeitura, que “limpa” o centro expulsando moradores de rua e desapropriando favelas; e outra que reivindica o “direito à cidade”, ou seja, quer tomar as ruas e “dar um sentido a São Paulo”. “Somos promotores culturais. Imagine se advogados e arquitetos decidissem fazer a mesma coisa pelo centro de São Paulo”, afirma.

Todos os passos da produção são feitos de forma associativa, aberta e livre. Segundo os organizadores, não há empresas, ONGs ou governo envolvidos. A programação foi construída a partir de chamada pública de ações. E o financiamento também é coletivo e associativo, via leilão, rifa, doações e crowdfunding.

O projeto esteve no Catarse duas vezes. Na primeira campanha, os realizadores pediram R$ 56 mil para um festival cultural de um mês no entorno do Minhocão, mas não foram bem-sucedidos. Na segunda tentativa, a meta foi de R$ 16 mil, para realizar apenas o primeiro final de semana do festival, que foi reduzido para dez dias de duração.

Em entrevista ao blog do Catarse, Lucas Pretti falou sobre a experiência de buscar o financiamento coletivo e alertou: “só faça um projeto se ele tiver uma causa maior do que o seu umbigo. O mundo está aí, ele precisa da sua atenção. Se a causa for importante, o projeto rola”. Clique aqui para ler a entrevista completa.

Para saber a programação completa do festival, acesse www.programacao.baixocentro.org.

*Com informações da Folha Online e do Catarse