Há algum tempo nossos amigos na Phonobase realizaram um estudo sobre a situação da indústria fonográfica no Brasil. na ocasião, a Phonobase publicou pesquisa que fizeram com as lojas de discos do país. Apesar da importância dos dados, pouca análise deles (lojas de discos) foi feita.

Gostamos bastante do artigo e trabalho e resolvemos republicar uma outra vez.

Fonte: Phonobase

Mas agora, graças à amiga e pesquisadora Daniela Schoeps, podemos somar aos dados a apresentação do Discurso do Sujeito Coletivo feito a partir da última questão presente na pesquisa sobre como as distribuidoras/gravadoras poderiam melhorar o trabalho feito com as lojas.

Para melhor compreenssão, eis a explicação de Daniela sobre o trabalho realizado:

Nesta última questão, as idéias diferentes na mesma resposta foram separadas e depois foram criadas categorias para representar essas idéias. Fizemos a contagem de quantas vezes cada idéia surgiu em cada categoria. A soma das porcentagens não fecha em 100% porque fizemos a análise pelo número de entrevistados (39) e não pelo número de idéias. A interpretação fica assim:

A idéia X esta presente em tantos % dos entrevistados ou A idéia X é compartilhada por tantos % dos entrevistados.

Depois disso juntamos todas as idéias da mesma categoria de todos os entrevistados e construimos o discurso. É o que chamamos de Discurso do Sujeito Coletivo. Quando lerem terão a impressão que é a fala de uma única pessoa, mas na verdade é de todos aqueles que compartilham a mesma idéia. Se 5 pessoas tiveram a mesma opinião, terá a fala das cinco no mesmo discurso.

Na construção desse discurso procuramos manter ao máximo aquilo foi  falado pelos entrevistados, acrescentamos alguns verbos, conjunções, artigos, etc  para dar sentido ao texto, mas a fala é deles, por isso qualquer falta de concordância é normal. O objetivo não foi corrigir a fala mas agregar todas elas para formar o “sujeito coletivo”.

Com esse processo é possível ter uma visão geral das idéias que surgiram.

Questão. Como as distribuidoras/gravadoras poderiam melhorar o trabalho feito com as lojas?

Número e porcentagem de opinião dos lojistas para melhorara do trabalho das distribuidoras/gravadoras com as lojas, Brasil, 2008
ID Categoria

n

%

a

Melhor atendimento para lojas pequenas e independentes

8

20,51

b

Contato direto, não fazer pela internet

6

15,38

c

Melhores condições de compras e  prazos

3

7,69

d

Melhora no atendimento de pedidos

3

7,69

e

Mais publicidade do artista

9

23,08

f

Melhora nos preços e nas condições de pagamento e/para combate a pirataria

20

51,28

g

Melhora nos catálogos e mais estimulo

7

17,95

h

Melhor atendimento/preparo dos representantes

3

7,69

i

Sem sugestão

1

2,56

Gráfico 1 – Porcentagem de opinião dos lojistas para melhorara do trabalho das distribuidoras/gravadoras com as lojas, Brasil, 2008

Categorias e discursos

a- Melhor atendimento para lojas pequenas e independentes (8)
Dar valor aqueles que sempre encheram os bolsos das gravadoras em tempos passados. Hoje, as gravadoras tem mais interesse em vender nas lojas ponto.com do que atender aos sobrevivente desse mercado cruel, o mercado foi vendido para as Lojas Americanas, deveriam dar mais atenção nas lojas especializadas em produtos específicos como nós que trabalhamos apenas com cds e dvds. Poderiam Identificar perfil da loja e daí separar material relacionado de acordo com perfil e também conceder ás lojas especializadas as mesmas condições oferecidas as grandes redes de hipermercados, magazines, etc.

Também visitar mais e ter um pouco mais de atenção com o mercado de lojas pequenas e com o que é passado particularmente e assim melhorar atendimento e voltar a incentivar as lojas independentes.

b- Contato direto, não fazer pela internet (6)
As distribuidoras/gravadoras se distanciaram bastante, antigamente convidavam para debates, treinamentos, shows….festas, churrascos para os vendedores de discos. Isso era legal, porque nos estimulava mais. Então deveriam ter mais proximidade, contato direto e não fazer o atendimento apenas pela internet.

Também a presença maior de alguém da gravadora na loja, mantendo proximidade com mais atenção e contato físico entre o comprador e o vendedor, melhoraria sendo mais parceiros.

c- Melhores condições de compras e  prazos (3)
É um absurdo a cobrança e a obrigatoriedade de um determinado valor nas compras e a existência do pedido mínimo. Também deveriam dar maiores prazos já que mercado está sufocado.

d- Melhora no atendimento de pedidos (3)
Agilidade na entrega dos pedidos, geralmente eles não possuem o produto para trazerem na hora e ter mais dinamismo para distribuição.

e- Mais publicidade do artista (9)
Poderiam oferecer mais maior publicidade e divulgação do material com antecedência, envio de publicidade dos artistas com envio de e-mail e com catálogos respectivos; trabalhar melhor o marketing pois, quando da nossa inauguração a 11 anos o produto fonográfico era colocado como um presente agradável de se receber, hoje só se fala na pirataria e o nosso foco ficou no esquecimento. É a resposta mais difícil. Deveriam estimular fazendo mais eventos…fazendo shows e distribuindo ingressos para todos conhecerem os artistas.

f –  Melhora nos preços e nas condições de pagamento e/para combate a pirataria (20)
Primeiramente, baratear os preços e melhorar a forma de pagamento que poderiam ser facilitadas com aumento de prazos e diminuição taxas, já que engloba todo o mercado musical – desde oferta até a procura.

Em particular, acho que a EMI e a Universal mudaram muito, para melhoria deles, as grandes gravadoras poderiam melhorar suas políticas mesquinhas, onde apenas se privilegiam e esquecem os varejistas, para os lojistas não houve melhora. Apenas 2 gravadoras abaixaram o preço, mesmo assim, esta medida foi tarde demais se fosse há 6 anos atrás o mercado não teria sido quase extinto como está. O que fazer para correr atrás do prejuízo ???? Me informe por favor, procuro saídas também. Talvez poderiam também fazer um trabalho maior com consignação. Funciona muito mais. Fazemos isso com a Lion; e o resultado vem trazendo muito retorno!

Outra opção é promover uma ação juntamente com o poder público tirando impostos, os cds nacionais estão com os mesmos preços dos importados, melhorando o preço, valorizando a cultura do CD porque nossos cds foram muito desvalorizados desde que foram vendidos em bancas, distribuídos em drogarias como brindes, dentre outros absurdos.

Além disso para reprimir a pirataria,  a redução dos valores dos discos e produtos, assim sendo o lojista poderia reduzir também os seus valores e conseqüentemente haveria mais rotatividade nas vendas e combate a pirataria que atrapalha muito nosso mercado, devido ao aumento do número de pessoas com acesso aos artistas pela internet e evitando assim, o download pela internet e a pirataria.

Diminuindo o preço! Com certeza! Melhorar prazos ou fazer como o mercado livreiro que consigna o catalogo todo, acredito que funciona melhor .

g– Melhora nos catálogos e mais estimulo (7)
O atendimento, especialmente das grandes gravadoras poderia ser melhor (eu por exemplo peço a 3 anos o contato com a som livre, sony, bmg e outras sem sucesso) e poderiam relançar títulos de qualidade e adequados ao público.

Acho que eles poderiam fazer mais lançamentos e atualização sobre novos artistas. Lançando uma variedade de catálogos e disponibilizando tudo o que é lançado no Brasil, nem sempre eles compram essa mídias para distribuição. Algumas gravadoras wea, universal , emi, não tem o produto para você ouvir, cartaz pelo menos 1 ano não tem novidade.  Os catálogos andam péssimos. Mas, acredito mesmo que a comercialização do mercado fonográfico deverá mudar muito nos próximos anos, encolher muito mais…. Mas esta reflexão deve partir das próprias gravadoras, sou uma loja pequena e extremamente segmentada para interferir neste processo….

h- Melhor atendimento/preparo dos representantes (3)
Outro fato marcante, é o tipo de atendimento que as gravadoras, ou seus representantes, passam aos lojistas. Não é em 10 ou 15 minutos que se faz uma visita mensal. As gravadoras em geral deveriam ter um treinamento específico para seus representantes não ficarem literalmente “viajando” em relação aos produtos que são…. Nenhum representante conhece de fato seus produtos, a não ser os que tem propaganda na televisão… Creio que através de um treinamento, ou até mesmo um simples e-mail resolveria em 90% o conhecimento de seus representantes e o pessoal ser especializado para o atendimento. Também é muito importante as gravadoras conhecerem seus clientes, não necessariamente pessoalmente, mas através de e-mail também seria o bastante.